Principais avanços do DRM em 2025
- Ricardo Gurgel

- 27 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Adoção formal na China
Em 5 de agosto de 2025, o órgão regulador da radiodifusão da China (National Radio and Television Administration, NRTA) adotou o DRM como padrão nacional para radiodifusão digital em médias e ondas curtas. Isso implica que o padrão global do DRM agora se torna o referencial oficial do sistema de radiodifusão doméstica AM no maior mercado de rádio do mundo.
Essa decisão da China é extremamente significativa para o DRM global: ao adotar o padrão de forma oficial, amplia-se fortemente a escala de implementação, o que tende a incentivar fabricantes, emissoras e integradores automotivos a investir em receptores e infraestrutura compatível.
Expansão de receptores e melhorias técnicas
No evento IBC2025 foi destacado um importante progresso: fabricantes expuseram novas versões de receptores DRM, soluções automotivas (rádio de carro compatível), dongles USB e módulos integrados, o que sinaliza que o hardware está se tornando mais acessível e mais próximo de uso em massa.
Também foram apresentados avanços na cadeia de transmissão: emissoras e fornecedores mostraram novas soluções de head-end e transmissão para DRM (e DAB+), com recursos de áudio digital, dados adicionais (texto, metadados, serviços de emergência) e interoperabilidade mais robusta.
Valorização do DRM como solução para países com larga malha AM/SW e desafios de infraestrutura
No relatório de 2025 do consórcio DRM, é destacado que o DRM se mostra particularmente adequado para regiões com grande dependência de ondas médias/curtas (AM/SW), territórios com baixa penetração de FM, áreas remotas e para complementar cobertura em larga escala, o que reforça seu papel como alternativa viável em países em desenvolvimento.
O padrão técnico do DRM, com boa eficiência espectral, possibilidade de múltiplos canais de áudio/dados, menor consumo de energia por bit transmitido e robustez em condições adversas de propagação, permanece um argumento técnico forte para sua adoção como meio de democratizar o acesso à rádio de qualidade.
Limites, desafios e o que ainda falta para massificação
Apesar dos avanços, o número de receptores DRM no mercado de massa ainda é limitado, historicamente esse tem sido um gargalo. Mesmo com os novos produtos apresentados em 2025, a penetração em veículos, rádios domésticos e portáteis ainda depende da popularização desses dispositivos.
A adoção do DRM continua concentrada em regiões específicas (Ásia, partes da Ásia -Pacífico, alguns países africanos), com cobertura muito desigual globalmente. A transição completa de emissores analógicos para digitais demanda investimentos e políticas públicas/regulatórias favoráveis.
A infraestrutura de radiodifusão local, especialmente em países onde o FM já domina e a banda AM/SW é menos estratégica, pode não justificar a migração para DRM, o que reduz o potencial de adoção massiva em todos os mercados.
A conscientização pública e do mercado sobre os benefícios do DRM ainda é reduzida, muitos decisores de radiodifusão continuam adotando posturas conservadoras, optando por FM, internet ou outros padrões digitais, o que limita o alcance prático do DRM.
Um ponto de inflexão, mas não uma virada global definitiva
2025 marca um ano de momento potencialmente transformador para o DRM: com a adoção formal pela China, novos receptores e infraestrutura aparecendo, ele se consolida como uma alternativa técnica viável, especialmente para mercados com desafios de cobertura, interesse por ondas curtas/longas, ou áreas remotas.
Por outro lado, especialmente em países onde o FM/internet já domina, a massificação do DRM exige mais do que avanços técnicos: requer vontade política, adoção regulatória clara, incentivos à produção e consumo de receptores e um esforço de comunicação para sensibilizar radiodifusores e ouvintes.
Implicações para o Brasil e sua realidade
Considerando sua ênfase no rádio FM local, ondas curtas e o contexto de rádios pequenas/médias no Brasil:
O Brasil poderia se beneficiar do DRM, especialmente em áreas remotas ou no interior, onde FM não alcança bem, ou onde a infraestrutura de FM é limitada. Mas isso depende de uma decisão regulatória firme e de estímulo à adoção de receptores compatíveis.
Com base nas tendências globais de 2025, vale retomar a discussão sobre inclusão do DRM em canais de transmissão compatíveis (AM/SW) e avaliar custo-benefício para estações locais, algo alinhado com o seu “manual de refundação de rádios FM” e análise de viabilidade técnica/comercial.
Dado que você planeja apresentar white papers e material técnico para autoridades, esse contexto de adoção global (como o caso da China) representa um argumento empírico forte para defender o DRM como estratégia de modernização e expansão de cobertura, especialmente em regiões periféricas do Brasil.
As informações utilizadas para a elaboração deste balanço foram obtidas nos seguintes endereços:
DRM Consortium. DRM Standard Adopted for Domestic Short and Medium Wave Radio Broadcasting as a National Chinese Industry Standard. 2025. Disponível em: https://www.drm.org/drm-standard-adopted-for-domestic-short-and-medium-wave-radio-broadcasting-as-a-national-chinese-industry-standard/.
DRM Consortium. DRM Newsletter – August 2025. 2025. Disponível em: https://www.drm.org/drm-newsletter-august-2025/.
Radioworld. China Goes for Digital Radio DRM. 2025. Disponível em: https://www.radioworld.com/global/china-goes-for-digital-radio-drm.
RedTech. DRM Steps Ahead at IBC2025. 2025. Disponível em: https://www.redtech.pro/drm-steps-ahead-at-ibc2025/.












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