AlexCAR DialInfinito: 20 rádios com boa recepção até 40 km ou 20 mil rádios sem limite de alcance com áudio impecável
- Ricardo Gurgel

- há 20 horas
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Existem dois ecossistemas para o rádio. O primeiro tem como fonte primária um transmissor FM, com áudio analógico sujeito à degradação sonora conforme ocorre o afastamento da fonte do sinal. O segundo utiliza o áudio vindo diretamente da saída digital do processador da rádio, que não é enviado para um transmissor específico, mas para um ambiente de redundância e distribuição IP. Esse envio pode variar desde 48 kbps em AAC+ até mais de 256 kbps AAC+, já entregando, mesmo em taxas menores, qualidade superior ao áudio captado via FM e posteriormente convertido para AAC+ a 64 kbps (48 kHz).
Você terá todas as emissoras já existentes no FM com áudio digital disponível dentro desse ecossistema. Não se trata de um sistema que reduz o alcance das rádios; pelo contrário, ele amplia sua cobertura para uma escala global e elimina a degradação sonora, mantendo o áudio preservado em alta qualidade de forma contínua.
Imagine chegar ao carro e dizer: “Carro, coloque na Jovem Pan Natal”
O veículo executaria um procedimento relativamente simples: verificar se a emissora transmite ao menos em 48 kbps AAC+. Caso positivo, essa passaria a ser a fonte primária de áudio. Se, por algum motivo, não houver disponibilidade do sinal digital, o sistema automaticamente buscaria o sinal em FM.
De uma forma ou de outra, ambas continuam sendo maneiras de ouvir rádio. Queiram ou não os fabricantes das antigas “máquinas de escrever”, o áudio digital sem limitação geográfica está chegando. Isso ameaça o rádio? Não. O que esse movimento faz é expandir o alcance das boas emissoras e isso não será para qualquer uma.
Não adianta determinados grupos ficarem incomodados com a previsão da chegada definitiva das rádios-IP. Isso não depende de mim, nem há como frear esse processo. Tampouco haverá força suficiente para impedi-lo. O cenário será exatamente este: entrar no carro no sertão do Nordeste brasileiro, entre Caicó e Natal, e pedir para ouvir a Z100 de Nova York. Ou estar dirigindo pelo norte da França e solicitar ao carro que toque a Jovem Pan Natal, uma rádio do Nordeste do Brasil.
E qual o prazo para essa tecnologia se tornar disponível? Pode chegar amanhã, de tão simples que é. Na prática, já existe hoje. É o mesmo princípio de ter uma Alexa no quarto e pedir para ela tocar determinada rádio. A Alexa não procura sintonia entre 76 MHz e 108 MHz; ela acessa plataformas como o TuneIn ou o RadiosNet. O próximo passo é apenas transformar isso em um “AlexaCar”.
Alertas
Não concordo com a ideia de que o sinal FM deva ser sempre o preferencial, utilizando o IP apenas em caso de queda do sinal terrestre.
Na prática, o sinal IP já é mais presente e, muitas vezes, mais confiável que o FM, inclusive em grandes cidades. Existem inúmeros relatos de regiões onde várias emissoras FM sofrem interferências, além do conhecido efeito multipath, aquela distorção e chiadeira estranha no FM mesmo a poucos quilômetros do transmissor.
Em Natal, por exemplo, diversas rádios apresentam perda perceptível de qualidade de áudio no bairro Tirol devido a reflexões e interferências. E, fora das capitais e cidades polo, a situação se torna ainda mais favorável ao IP: o 4G e o 5G costumam ser muito mais dominantes e consistentes do que a cobertura FM local. Em muitas dessas cidades, é simplesmente mais fácil ter acesso contínuo ao sinal por IP do que ao sinal terrestre da emissora.
Também não concordo com a troca automática e imediata entre os sinais analógico e digital sempre que houver flutuação de intensidade.
Nada é mais desagradável do que um sistema alternando segundo a segundo entre áudio analógico e digital: som abafado, som aberto, som abafado novamente, som aberto novamente. A diferença de qualidade sonora entre os dois ambientes é grande demais para esse “ping pong” constante passar despercebido ao ouvinte.
Outro ponto com o qual não concordo é a obsessão pela sincronização em milissegundos entre o áudio digital e o analógico. É justamente isso que encarece e complexifica todo o sistema de forma desnecessária.
Na prática, faz pouca ou nenhuma diferença ouvir uma música do Bruno Mars às 9h23min12s ou às 9h23min45s. O áudio digital naturalmente possui delay, mas isso é algo banal para o ouvinte comum. A sincronização extrema só faria sentido para sustentar essa troca caótica e instantânea entre FM e IP.
Um modelo mais racional seria estabelecer um critério simples de transição: o sinal IP deve ser o preferencial, e a migração para o FM só deveria ocorrer caso o streaming permanecesse sem áudio por mais de 30 segundos consecutivos.
Além disso, hoje é muito mais comum haver degradação ou ausência de sinal FM do que perda total de conectividade IP.
Minha proposta é simples: o streaming deve ser a fonte principal de áudio, e o FM atuar apenas como redundância automática em caso de ausência prolongada do sinal digital.

















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