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Rádios adultas são vida e morte no FM

Isso acontece porque existe uma grande confusão ao se imaginar que o formato adulto seja, de fato, um perfil único e unificado. O formato adulto no rádio se assemelha muito mais a uma floresta com múltiplas espécies, muitas das quais estão em um caminho direto para a extinção. Poucas estão saudáveis, e essas poucas não apenas estão saudáveis como tendem a predar as demais.

Por um tempo, essa dinâmica funciona. Quando a escassez de alimento começa a ameaçar os grandes predadores, eles ainda terão gordura acumulada e, certamente, um plano de transição para a nova saída que se apresentar. Digo isso porque saber sobreviver agora apenas indica capacidade de ajuste quando esses ajustes se fizerem necessários.

Se eu perguntar o que é uma rádio adulta, você rapidamente perceberá que existem dezenas de formatos que atendem ao público adulto. Uma rádio puramente esportiva e jornalística é um modelo. Uma rádio majoritariamente musical, tocando clássicos dos anos 70, 80 e 90, seria outro, também voltado ao público adulto.

Mas vamos mais fundo. Uma rádio que toca hits dos anos 70, 80 e 90 com foco em músicas lentas nacionais seria muito diferente de uma rádio que toca apenas hits internacionais dessas mesmas décadas. E, sinceramente, eu não apostaria em nenhum desses formatos musicais no momento.

Voltando ao primeiro exemplo, uma rádio esportiva e jornalística, até mesmo esse modelo pode se desdobrar em versões muito diferentes. Isso é verdade mesmo que os eventos esportivos sejam os mesmos e que as notícias sejam as mesmas no mundo inteiro. Ainda assim, as rádios tratarão esses elementos de formas distintas. E aqui vem o choque. Uma será um fracasso de audiência com esporte e notícia, enquanto outra terá muita audiência com esporte e notícia.


Rádio esporte e notícia é uma fórmula de baixa audiência

Sim, certamente. Uma emissora que serve como validadora de um grande Estado que acredita estar certo em controlar fortemente a liberdade financeira do empreendedor, que defende tolerância ao desencarceramento e aceita que quem comete crimes hediondos não precise sequer enfrentar prisão automática, basicamente resume o perfil defendido por emissoras de notícias de baixa audiência no Brasil.

É uma rádio de baixa sedução popular. O público que quer ouvir sucessos sertanejos, talvez até pelo YouTube ou Spotify, ou ouvir músicas ainda mais simples e animadas, não quer ouvir as complexidades das notícias e de suas análises.

Ao mesmo tempo, o público que gosta de ouvir análises e que se interessa por economia costuma considerar muitas das análises políticas e econômicas dessas emissoras como ridículas. São espertos demais para cair nessa narrativa. São rádios que usam o pior sabor para tentar vender sorvete.


Rádio esporte e notícia é uma fórmula de muita audiência

Foca no empreendedor. Naquele que entende que o governo não pode brincar de enganar o público, estourando cartões e criando impostos para correr atrás de rombos. Critica esses absurdos. Entra em campo para lutar contra aumentos de impostos.

É realista sobre o crime no país. Não usa discurso utópico.

Esse modelo tornou-se conhecido mundialmente por ter sido explorado com enorme sucesso pela Fox News, que durante muito tempo superou suas concorrentes nos Estados Unidos por larga margem. Porém, é preciso fazer uma ressalva cada vez mais pertinente. A Fox infelizmente passou a se mostrar excessivamente partidária, muitas vezes colocando alinhamentos políticos acima dos interesses objetivos do empreendedor.

Isso fica especialmente evidente quando a emissora relativiza ou evita criticar medidas que prejudicam a livre iniciativa, mesmo quando tais medidas partem de figuras que se apresentam como capitalistas. Donald Trump, por exemplo, frequentemente se vende como defensor do livre mercado, mas em muitas situações atua mais como um gestor de uma agenda voltada a concentrar vantagens econômicas em empresas amigas ou até mesmo em negócios próprios e de familiares.

Esse tipo de postura contradiz o espírito clássico do empreendedorismo, que depende de regras claras, concorrência aberta e previsibilidade. Quando um veículo de mídia passa a blindar esse comportamento por afinidade política, deixa de ser um instrumento de defesa de princípios econômicos e passa a ser apenas um instrumento de torcida.

No médio e longo prazo, isso tende a cobrar um preço. Parte do público que busca uma rádio de esporte e notícia por identificação com valores como liberdade econômica, meritocracia e crítica racional ao Estado pode começar a se sentir afastada. E assim, mesmo um modelo historicamente vencedor, pode começar a perder fôlego.


Fórmula simples, mas os ingredientes são raros dentro do jornalismo

O foco de uma rádio adulta que realmente tem audiência é o empreendedor. É o amante dos mercados livres. É a pessoa que despreza o desejo constante do Estado de controlar sua vida, seu trabalho e suas escolhas. É uma rádio que, assim como seus ouvintes, é apaixonada por análises reais dos motores econômicos, por entender como o dinheiro circula, como as empresas crescem e como a riqueza é efetivamente gerada.

É também uma rádio que se empolga com os esportes, que vibra com competição, desempenho e conquista. Mas, coincidência ou não, é justamente esse tipo de rádio que enfrenta grande dificuldade, mesmo quando seus proprietários são orientados aos negócios, em evitar jornalistas e comentaristas que não rejeitem ou até desprezem o próprio espírito do ouvinte empreendedor.

Existe uma tensão permanente entre o perfil do público e parte de quem produz o conteúdo. E quando essa distância se torna grande demais, a rádio passa a falar para si mesma, não para quem realmente a sustenta.

 
 
 

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