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As pessoas estão confundido defender o "Rádio" com defender o "FM"

O desembarque das rádios do AM para o FM

FM ou AM são meios de transporte do rádio. Quando tudo começou, o rádio era “empacotado” em AM e, por muitos anos, esse foi o principal formato pelo qual ele era reconhecido. Quando o sistema FM surgiu, houve resistência: os amantes do AM diziam que o FM não vencia distâncias como o AM, enquanto os defensores do FM argumentavam que o AM não tinha a qualidade sonora que o FM oferecia.

Durante um período, esse foi o ponto de equilíbrio: o transporte via AM garantia alcance, enquanto o transporte via FM assegurava integridade sonora, ou pelo menos uma boa aproximação disso.

Com o passar dos anos e o aumento da eletrificação nos ambientes urbanos, tanto nas vias quanto dentro das residências, surgiram concorrentes eletromagnéticos intensos para o AM. Uma simples lâmpada fluorescente, por exemplo, é capaz de tirar completamente o sinal de rádios AM do ar dentro de um quarto ou sala. Nesse cenário, já não se tratava mais de preferência entre AM ou FM, com a luz acesa, muitas vezes simplesmente não havia rádio AM captável, a menos que a residência estivesse muito próxima de um transmissor.

Ainda assim, as pessoas insistiam em ouvir AM porque conteúdos como o futebol estavam concentrados ali. Com o tempo, porém, o FM passou a transmitir futebol também. E não só isso, programas falados, debates, noticiários e conteúdos religiosos perceberam que poderiam utilizar o mesmo conteúdo que antes estava no AM também no FM. Ou seja, entenderam que estavam apenas mudando o meio de transporte.

É verdade que, com isso, perdeu se o grande alcance do AM, já não era mais possível captar uma emissora a 300 km de distância durante a noite, nem ouvir a Rádio Globo do Rio em 1.220 AM, por exemplo, numa praia próxima a Natal durante um jogo do Flamengo.

Mas as rádios compreenderam que precisavam focar na audiência real dentro de seus mercados, 50 mil, 100 mil, 500 mil ou até 1 milhão de habitantes em sua área de influência, e não em ouvintes eventuais espalhados a milhares de quilômetros de distância.

Que troca foi essa? Foi a troca entre ter um som de baixa qualidade dentro da própria cidade e tentar alcançar até 2 mil quilômetros, ou oferecer qualidade local mesmo com menor alcance. Para o anunciante, pouco importava um rádio com grande cobertura se ele só podia ser ouvido em condições muito específicas, longe de interferências elétricas e, muitas vezes, apenas com lâmpadas incandescentes.

As críticas se intensificaram quando o Brasil regulamentou a migração das emissoras AM para o FM. Para o ouvinte mais apaixonado, restou reclamar, e reclamar bastante. No entanto, esse mesmo ouvinte dificilmente participaria de campanhas para custear a operação cara de uma emissora AM.

No fim, as rádios migraram para o FM e conseguiram entrar melhor nas casas. Embora não sejam totalmente imunes às interferências elétricas, os sinais FM sofrem muito menos com esse tipo de problema do que os sinais AM. Assim, optaram por priorizar uma audiência mais consistente em suas cidades, em vez de manter um grande alcance com poucos ouvintes efetivos.

O AM tinha alcance, enquanto o FM oferecia qualidade sonora. O AM sofria com interferências de lâmpadas fluorescentes ou LED, enquanto o FM era limitado por barreiras geográficas. No entanto, a principal vantagem do AM, o alcance, estava concentrada no período noturno, justamente quando a televisão se consolidou como preferência na rotina brasileira e também em outras partes do mundo.

Ou seja, o AM alcançava maiores distâncias em uma faixa de horário fora do chamado horário comercial. Não por acaso, essa faixa acabou se transformando em uma espécie de vitrine de ofertas, com forte presença de programação voltada a vendas diretas. Com o tempo, e por efeito desse modelo, cerca de 90% da faixa passou a ser ocupada por emissoras religiosas, que contam com fontes de receita externas e não dependem diretamente de anunciantes tradicionais.



Ser rádio não é ser AM ou ser FM, ser rádio é alcançar ouvintes

O AM resistiu por muito anos a concorrência do FM pois oferecia alcance, o FM cresceu anos após anos pois oferecia qualidade sonora, o FM resistiria a um meio que oferecesse maior qualidade sonora e muito maior alcance?


Questões

Como isso seria possível? Veja o HD Radio: ele não oferece maior alcance do que uma emissora FM analógica. Pode até entregar melhor qualidade, mas não amplia a cobertura.

No caso do DRM, para atingir grandes distâncias, é necessário reduzir significativamente a taxa de bits. Caso contrário, aumentam as perdas de pacotes, o que compromete a recepção. Nesse cenário, como sustentar qualidade?

Já o DAB depende de uma rede com milhares de retransmissores para garantir cobertura contínua. Como tornar esse modelo viável economicamente?

Se eu tivesse que sair de Natal para Recife, ou seja, percorrer cerca de 300 km ouvindo a mesma rádio durante 98% do trajeto, com alta qualidade, e ainda conseguisse gravar todo o percurso, ganharia uma aposta de R$ 10.000 com facilidade.

Precisa ser gênio para adivinhar como? A dica é simples: a palavra começa com “streaming”.


Quando a “Alexa” se tornar padrão nos carros, ela vai optar pela alta qualidade do seu streaming, não pelo seu sinal FM com chiados. Sua rádio está preparada?

  • No Brasil, aproximadamente 92% da população utiliza a internet, enquanto cerca de 95% vive em áreas com cobertura de rede móvel. Desse total, aproximadamente 65% já tem acesso à cobertura 5G.

    Além disso, mais de 99% das pessoas que possuem automóvel têm acesso à internet móvel, seja diretamente no veículo ou por meio do smartphone.

    “Na prática, o RÁDIO DIGITAL nos carros já está disponível para praticamente toda a população motorizada NO BRASIL.”


    Mas isso não é rádio digital!

    Tem certeza que não? O sinal 4G e 5G é um sinal eletromagnético de rádio, e tudo o que é transportado nessa transmissão é digital. O que temos é uma transmissão via rádio de conteúdo digitalizado e, mais importante, o áudio muitas vezes é superior ao de muitas emissoras em DAB ou DRM que ainda optam por baixas bitragens.

    Ouça esse trecho!

Sim, pode ser o som da sua rádio, sem chiados, com maior faixa de frequências, mais agudos e graves do que é possível ouvir no FM.


Você entra no carro e pede para a “Alexa”, em um futuro próximo, tocar a Jovem Pan. Em seguida, é esse som que você vai ouvir:


Você ouve a Jovem Pan e pensa que, basicamente, a única mudança foi o comando de voz, dispensando o uso das mãos para sintonizar. Mas, na verdade, não foi só isso que aconteceu.

Perceba: não há chiados. As bandas parecem tocar com mais instrumentos. As guitarras soam com agudos mais brilhantes, e o contrabaixo ganha mais peso e definição.

Então surge a pergunta: qual é a lógica de ouvir, em bairros cercados por prédios e já a alguns quilômetros dos transmissores, um som com chiados e cortes, ou pelo menos abafado pela perda de informações da onda de rádio, se a mesma emissora pode ser ouvida com muito mais qualidade, sem chiados e com nitidez muito superior?

E não, não estou falando de ouvir a Jovem Pan em HD Radio, DRM ou DAB, isso sequer existe como perspectiva real no Brasil.

Na prática, mesmo sem Alexa nenhuma, você já pode ouvir a Jovem Pan exatamente com essa qualidade hoje.


Se você tem um celular e o rádio do carro tem bluetooth, então você já tem várias rádios digitais para ouvir, com alta definição que supera a qualidade de rádios DAB ou DRM. Isso acontece pelo simples fato de estarem operando com mais de 60 kbps em AAC+, sem necessidade de configurações mais baixas.

Nessa situação, é você quem opta por ouvir a Jovem Pan via streaming e não pelo FM. Você continua ouvindo a rádio, mas não por uma transmissão analógica, e sim digital. No entanto, no futuro, as pessoas vão ouvir a versão digital achando que estão ouvindo o FM tradicional, quando na verdade estarão no streaming.

Você pode perguntar: como isso vai acontecer?

A resposta é simples. Os carros estão cada vez mais com centrais de mídia que funcionam como verdadeiras Alexas. O usuário apenas vai dizer qual rádio quer ouvir. Sabendo que o som do streaming é superior e sem chiados, essa Alexa não vai perguntar se você quer ouvir a Jovem Pan pela antena FM ou pelo streaming. Ela simplesmente vai escolher o streaming.

A central não vai optar por um sinal analógico sujeito a interferências. Hoje, qualquer capital já conta com boa cobertura de redes 4G e 5G. Na prática, você estará ouvindo o streaming, e o ouvinte vai se apaixonar por essa qualidade sonora.


Perfeição sonora, desde que:

O streaming tenha pelo menos 64 kbps em AAC+, com o áudio vindo da saída digital do processador de áudio. Não adianta fazer um streaming em 256 kbps MP3 se o áudio enviado pela rádio ao servidor for ruim. É necessário garantir qualidade desde a origem.

Prepare-se para essa realidade. Sua rádio está pronta para entregar excelência no streaming?


Essa situação que eliminou a fome de digitalização do rádio no Brasil

Não há interesse dos radiodifusores e "contratar" com custos com a novidade de um sistema digital de rádio, não há vontade de comprar transmissões por milhões e ainda torcer com forte incerteza para que ouvintes comprem caros e mais complexos rádio receptores só para ouvir o som digital da rádio DAB, DRM ou HD RADIO.

O ouvinte já tem acesso ao áudio de alto nível sem precisar comprar receptores de rádio digital, as rádio já transmitem áudio de alta fidelidade com qualidade superior a diversas rádios digitais pelo mundo, sim, pelo streaming, sempre ouço ao sair de casa, a tecnologia já é forte barreira de entrada para qualquer sistema digital, pois, está aí, tenho celular, plano de dados e central de media nativa do carro

Faz sentido pensar isso: “muitos ainda não sabem como ouvir o streaming da sua rádio no carro”?

Se alguém tem dificuldade para acessar o streaming no carro, pode ter certeza de que a barreira para essa mesma pessoa pensar em comprar um receptor HD Radio é muito maior. E esperar que a frota de veículos, aos poucos, passe a vir equipada com esses receptores nativos é um processo lento, que já nasce atrás de qualquer solução baseada em assistentes de voz.

E isso nem precisa de muito esforço para entender: uma solução tipo Alexa embarcada no carro é muito mais desejável do que um equipamento dedicado apenas a rádio digital.


Porque, na prática, uma central multimídia inteligente no carro oferece:

  • Rádio digital local

  • Rádio digital nacional

  • Rádio digital internacional

  • Dial infinito

  • Mídias além do rádio, como YouTube, Spotify, entre outras


Não há disputa real aqui

O modelo disruptivo não vai chegar para atrapalhar a adoção do rádio digital no Brasil, ele já está presente. E, mais do que isso, ele reduz o próprio incentivo para a implantação dos modelos tradicionais de rádio digital.



Qual dessas  exatamente é impossível de ouvir no seu carro?



Não consegue ouvir as rádios acima? Tem certeza? Até mesmo esse modelo básico de carro torna possível ouvir qualquer uma dessas emissoras, em qualquer lugar do Brasil, e essas centrais multimídia integradas aos veículos vão, cada vez mais, facilitar o acesso ao rádio digital (via streaming), com alta qualidade de áudio.


Mas é muito complicado colocar streaming no carro, isso não vai se popularizar…

Bem, como acabei de dizer, as coisas estão se tornando cada vez mais intuitivas, e dar um comando de voz como “Carro, quero ouvir a Antena 1” é, sejamos sinceros, algo trivial. Isso já existe, e o carro simplesmente vai acessar o streaming de alta qualidade da Antena sem se preocupar com as oscilações do sinal FM da emissora



 
 
 

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