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Strategy Engineering

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Redes deixam satélites e usam Internet para distribuir a transmissão ao vivo às afiliadas

Desde que conhecemos a internet sabemos que existe uma incerteza inerente ao serviço. Não é raro que a conexão caia por alguns segundos ou até minutos. Porém, já são algumas décadas de uso da internet no Brasil e no mundo, e hoje existem diversas empresas provedoras, com diferentes produtos e níveis de qualidade.

A internet não é um produto uniforme. Dependendo do provedor contratado, ela pode ser lenta, instável ou reunir ambos os problemas ao mesmo tempo.


O satélite é caro de usar

Mas é preciso ponderar alguns pontos. No rádio não adianta evitar o debate sobre custo benefício. Inclusive, em alguns momentos do ano ocorre a chamada interferência solar, que pode provocar períodos de cegueira no sinal do satélite.

Ou seja, até o satélite apresenta suas próprias instabilidades. E, além disso, é caro, muito caro.

Se analisarmos o histórico de um provedor de internet que ofereça, por exemplo, 99,995 por cento de disponibilidade anual no upload, estamos falando de um nível de confiabilidade que, na prática, pode apresentar menos interrupções do que um sistema via satélite sujeito a interferências solares.

Existe, porém, uma questão importante. A cabeça de rede pode contratar um link de internet de altíssima garantia e estabilidade por um preço que, apesar de elevado, ainda é bem menor que o aluguel de um transponder de satélite. Nesse caso, a escolha faz sentido econômico.

Mas não é apenas a internet da cabeça de rede que importa. As afiliadas também precisam garantir contratos com provedores de alta confiabilidade para receber esse sinal. A dúvida natural é: será que isso funciona na prática?


Afiliada em Natal já funciona assim desde o final do ano passado

Desde o final do ano passado tenho conhecimento de uma afiliada de rede que passou a operar exatamente dessa forma. A emissora substituiu a recepção via satélite pela recepção do sinal ao vivo pela internet, inicialmente ainda em período de testes e antes mesmo do prazo exigido pela cabeça de rede.

Nas diversas vezes em que ouvi a emissora depois dessa mudança, não percebi falhas ou cortes na transmissão. Tampouco ouvi relatos de interrupções do sinal.


O áudio melhorou

E há um detalhe interessante: o áudio melhorou. Antes, a emissora recebia o sinal ao vivo pelo satélite, mas tanto eu quanto o responsável técnico notávamos que havia uma certa degradação no áudio recebido. Não ficou claro se era uma configuração específica do receptor digital local ou até algum problema de hardware.

O fato é que o áudio chegava com certa aspereza, quase como um MP3 codificado a 96 kbps, daqueles em que mesmo um ouvinte sem conhecimento técnico percebe que a qualidade é inferior a um arquivo de 128 kbps.

Curiosamente, em alguns momentos os intervalos comerciais pareciam ter qualidade superior às músicas da rede. Havia claramente uma perda perceptível.

E no rádio não se pode acumular falhas. O acúmulo de pequenas degradações de qualidade acaba levando à perda de audiência e, consequentemente, os problemas financeiros acabam chegando mais cedo ou mais tarde.


Dúvidas e percepção de qualidade

Vale lembrar que a maioria das pessoas hoje escuta música em plataformas como o Spotify e raramente faz críticas à qualidade do áudio. Isso significa que uma cabeça de rede pode distribuir o áudio por internet com bitrates mais elevados e maior qualidade sem que isso represente um peso relevante para o link contratado.

Além disso, o áudio recebido pela afiliada ainda passará por toda a cadeia local: mesa de áudio, processador de áudio e transmissor. Ou seja, ele ainda será bastante trabalhado antes de chegar ao ouvinte final.

Na prática, a qualidade pode chegar a um nível excelente. Assim, a afiliada deveria se preocupar muito mais em não degradar o áudio na sua própria cadeia local, garantindo que os equipamentos estejam bem configurados e operando corretamente.



Critério

Satélite

Internet dedicada

Custo mensal

Muito alto

Médio a baixo

Infraestrutura

Antena parabólica e receptor

Link dedicado e decoder de streaming

Latência

Baixa e previsível

Pode variar

Confiabilidade

Alta, mas com interferência solar

Depende da qualidade do provedor

Qualidade de áudio

Limitada pela compressão do transponder

Pode usar bitrates maiores

Flexibilidade

Baixa

Alta


Passados alguns meses de operação

Depois de alguns meses operando nesse modelo, o resultado é claro.

Plena satisfação com a operação.

Nenhuma interrupção perceptível do sinal.

Melhora na qualidade do áudio recebido da rede.

Redução dos custos operacionais.


Mais redes

Não se trata de um movimento isolado de uma única rede. Esse modelo se mostra uma opção muito viável especialmente para redes musicais.

A questão do atraso do sinal precisa ser considerada em emissoras que trabalham com eventos ao vivo, como transmissões esportivas. Ainda assim, hoje já estamos acostumados com diferenças de atraso entre plataformas.

Não é incomum, por exemplo, saber que um gol saiu primeiro no rádio do que na televisão ou vice versa. Na prática, esse tipo de diferença acabou se tornando um fator pequeno no cotidiano da audiência.


 
 
 

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