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Strategy Engineering

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Pacote de sobrevivência para rádios

Não seja uma emissora (exclusivamente) musical

Sim, existem emissoras focadas em música que ainda terão alguns anos de bons números de audiência. Porém, em geral, são emissoras adultas que ocupam nichos em grandes centros. Temos exemplos como a GFM (Salvador) e a Alpha FM (São Paulo). A música que toca aqui também toca em milhões de outros lugares. É um produto volátil e sem dono. O verdadeiro diferencial está em algo que apenas a sua emissora pode oferecer: opinião, análise e conexão com o ouvinte.

Ainda é caro manter uma emissora dedicada exclusivamente a esporte e notícia, principalmente quando se trata de uma rádio com equipe local própria. Produzir conteúdo jornalístico exige profissionais qualificados, apuração constante e estrutura operacional diária, o que eleva significativamente os custos.

Por outro lado, essa estrutura local também pode evitar um problema comum: a baixa audiência decorrente da simples associação a uma rede nacional, que muitas vezes entrega um conteúdo distante da realidade da praça. Quando a emissora tem voz própria, comentaristas identificados com a região e cobertura de temas locais, ela cria relevância e vínculo real com o público, algo que nenhuma rede consegue replicar integralmente.


Tenha noticiários comentados

A dificuldade de encontrar comentaristas capazes é um dos grandes desafios desta estratégia, mas ela é fundamental. Aqui, o comunicador pode levar os números da emissora tanto ao céu quanto ao inferno. Programas que apenas leem releases estão condenados. Programas “isentões”, no sentido de se sentirem incapazes de analisar fato a fato, são menos úteis do que simplesmente ler portais com resumos das últimas notícias.

Não vejo problema em ter até seis horas diárias desse tipo de transmissão. Evite uma posição antimercado nos noticiários comentados. Inevitavelmente, o perfil predominante na audiência de programas de notícia, debate e comentários é masculino, frequentemente acima de 80% de participação. E você sabe qual é o perfil predominante desse público, não vou nem citar.

Apenas digo que, se sua linha editorial for defender aumento de impostos e expansão de gastos públicos, esse público provavelmente irá rejeitar sua emissora. E, além de perdê-los, você dificilmente conquistará o público oposto, que normalmente não se interessa por temas considerados “chatos”, como economia.


Futebol local

Tenha uma equipe esportiva e cubra o futebol local. Esse é um conteúdo que não concorre diretamente com sua emissora no Spotify e provavelmente nem no YouTube. Vale lembrar que, no campo musical, existe o “danadinho” do Spotify, onde o ouvinte pode escolher exatamente a música que quer ouvir, com uma qualidade difícil de competir.


Sob essa perspectiva, temos alguns exemplos de emissoras com audiência relevante e imune ao SPOTIFY:


Belo Horizonte

  • Rádio Itatiaia (95,7 FM)

    Talvez o caso mais emblemático de sucesso em jornalismo e esporte local no Brasil. A emissora domina audiência em vários horários graças ao forte conteúdo local e cobertura intensa dos clubes mineiros.

Provavelmente o maior caso de sucesso do rádio local brasileiro.

  • Jornalismo intenso desde cedo.

  • Debate esportivo permanente.

  • Cobertura obsessiva de Atlético e Cruzeiro.

  • Grande equipe de reportagem.

Resultado: frequentemente lidera audiência geral em BH.


Porto Alegre

  • Rádio Gaúcha (93,7 FM)

    Um modelo consolidado de rádio all news com esporte forte, pertencente ao grupo Grupo RBS.

Modelo clássico de all news regional com esporte forte.

  • Programas de debate político.

  • Cobertura completa de Grêmio e Internacional.

  • Grande credibilidade jornalística.


Rio de Janeiro

  • Rádio Tupi (96,5 FM)

Sem depender de rede, mantém uma das maiores audiências do país.

  • Mistura popular + opinião + futebol.

  • Narradores e comentaristas muito identificados com o público.


Recife

  • Rádio Jornal (90,3 FM)

    Grande audiência regional com notícia, debate e futebol pernambucano.

Extremamente forte em Pernambuco.

  • Programação jornalística pesada.

  • Debate político regional.

  • Cobertura intensa de Sport, Santa Cruz e Náutico.



Ser rádio é ser além do FM

Ser rádio é mais do que ser ouvido no dial. Ser rádio também é ser ouvido na internet, e não, ter um som primoroso online não é caro; é obrigação.


Ser rádio também é ter imagem na internet

O canal no YouTube deve ser um componente vivo da emissora. Ser rádio é manter contato ininterrupto com os ouvintes, que hoje se comunicam por WhatsApp, Instagram e outras plataformas. Tudo isso deve ser convertido em ativo de audiência. E ser rádio também é ser rua: a emissora precisa existir fisicamente no ambiente urbano, ter presença visual, ter cara de outdoor.


Tenha palco no YouTube, X e Instagram

Tenha a cara da emissora alimentando esses meios. Eles devem ser encarados como extensões funcionais e geradoras de audiência para a rádio. Tenha também um bom sistema de cortes e distribuição de conteúdo. A internet é um motor de audiência. Lutar contra isso é pouco inteligente e um presente para a concorrência. Inclusive, monetize seu canal no YouTube.


Você terá a preferência no carro

O seu ecossistema principal é o carro, onde o rádio ainda é a primeira opção da maioria das pessoas. Tenha cuidado para que sua cobertura alcance bem as ruas e estradas da sua praça.


O musical virou complemento

A programação musical virou, cada vez mais, o respiro da emissora. Ela permite organizar a grade e preparar as atividades diferenciais da rádio: programas, jornalismo e comunicação ativa. É o tempo de recarga para que redações e apresentadores se preparem. Cada vez mais, esse será o núcleo que sustenta a saúde financeira da emissora. E sim: até em cidades menores esse movimento tende a acontecer.


Cuidado na precificação das extensões da rádio

Não sobrecarregue suas redes e plataformas digitais com anunciantes se os valores não estiverem devidamente dimensionados. Esses ambientes são fontes financeiras necessárias para a sobrevivência da emissora. Não são mais um extra. Hoje são parte essencial do negócio.


Cobertura

A cobertura representa muito do rosto da emissora. Falhas nesse aspecto, especialmente em regiões onde concorrentes estão chegando, podem impactar diretamente a imagem da rádio.


Qualidade sonora

Já não é mais caro ter um som incrível no FM. Existem diversas soluções que tornam essa possibilidade totalmente real. A falta de conhecimento técnico pode levar a custos desnecessariamente altos e até a um desastre no ar.


Qualidade plástica

Não adianta o áudio ser primoroso se a estética da emissora parece amadora. Vinhetas genéricas, baixa qualidade de produção, uso incorreto de elementos sonoros e locuções despreparadas levam a imagem da emissora ao lixo e com ela vai também o valor da marca.


Padronize

Padronize a atuação no estúdio, a execução da programação e as rotinas burocráticas. A padronização é inimiga do caos. Isso inclui também a organização financeira. Existem diversas obrigações com órgãos federais que precisam ser cumpridas, e a falta de método nessa área pode gerar problemas sérios para a emissora.





 
 
 

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