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Strategy Engineering

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Por que os métodos de medição de audiência em FM são cada vez mais questionados?

Eu trabalho intensamente com métricas de canais online, onde é possível acompanhar em tempo real quantos ouvintes estão conectados ao streaming, quanto tempo permanecem ouvindo a emissora e, inclusive, de onde estão ouvindo.

Quando migramos para a chamada medição tradicional de audiência de rádio, surgem diversas questões, não apenas entre leigos, mas também entre anunciantes, proprietários de emissoras e até profissionais das áreas de matemática e estatística. Ou seja, há um questionamento técnico legítimo sobre métodos, amostragem e formas de levantamento.

O que passou a gerar maior desconfiança foi o momento em que alguns institutos começaram a incluir supostos números de audiência online em seus relatórios. Em muitos casos, esses dados ficaram muito distantes daquilo que as próprias medições reais de streaming das emissoras demonstravam.

Explico: quando uma rádio possui streaming próprio, ela dispõe de informações objetivas. Sabe exatamente quantos dispositivos estão conectando e desconectando, o tempo médio de escuta, o número de ouvintes simultâneos, a localização aproximada por IP e até por qual site ou aplicativo a audição foi iniciada. Não se trata de estimativa: é dado real, medido diretamente na infraestrutura.

Isso abriu espaço para comparações inevitáveis. E os resultados chamaram atenção: institutos divulgando números online completamente desconectados da realidade técnica observável. Em alguns casos, tão discrepantes que até grandes empresas globais do setor digital, com operação no Brasil, passaram a questionar a confiabilidade desses relatórios.

Dentro de grandes portais de streaming, há profissionais que reconhecem informalmente que certos números divulgados soam quase como piada. Observa-se, por exemplo, emissoras com baixíssimo tráfego real aparecendo como “campeãs de audiência online” nesses levantamentos, enquanto rádios com desempenho comprovadamente elevado surgem como pouco expressivas.

É claro que também existem emissoras que tentam inflar artificialmente seus números por meio de múltiplas aberturas de players, utilizando robôs ou scripts para simular acessos. Contudo, essa prática é relativamente simples de detectar em análises mais refinadas de logs e padrões de conexão.

Há, inclusive, emissoras conhecidas no mercado que fazem uso recorrente desse tipo de artifício como estratégia de marketing, criando uma falsa sensação de grande audiência online. Na prática, tratam-se de “ouvintes robôs” apenas para gerar contagens artificialmente altas de streaming.



 
 
 

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