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Strategy Engineering

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É melhor ter 20 rádios monotemáticas diferentes do que 20 rádios “ecléticas” iguais

Bem, o que quero dizer é que não acharia nada mal ter a FM 87,9 focada no nicho A, por exemplo, tocando apenas pagode; a 88,1 apenas MPB; a 88,3 somente rock clássico; a 88,5 exclusivamente forró. Imagine chegar até a 107,9 e ela ser uma rádio dedicada apenas a ítalo dance. Ou seja, eu estaria a um clique de viver 20 experiências diferentes, bastando acompanhar o meu humor.

Não tenho a menor necessidade de ser fiel a qualquer emissora. Posso acordar e, das 7h às 9h, ouvir classic rock; das 9h às 11h, ouvir lentas internacionais; das 11h às 13h, apenas notícias; das 13h às 15h, ouvir o hit parade; das 15h às 18h, ouvir rock nacional dos anos 80. Tudo isso só seria possível porque o dial teria cerca de 20 emissoras focadas na excelência de programar músicas para o seu nicho: rádios especialistas.

Assim, posso simplesmente seguir a minha vontade e saber exatamente qual rádio vai me atender naquele momento. Não faz sentido eu me irritar com a Antena 1 porque ela não toca música nacional. Qual seria o sentido de reclamar da Antena 1, se o papel dela é justamente esse? Para ouvir MPB, basta eu sintonizar na NovaBrasil. Pronto: encontrei outra FM nichada, focada, que entrega exatamente o que meu humor pede naquele instante.

Sem a menor necessidade de achar que estou “preso” à Antena 1, nem de querer irritar seus ouvintes tentando fazê-la mudar de propósito. E veja só: duas horas depois posso sair da NovaBrasil e ir para outra FM ouvir apenas músicas bregas. Perfeito.

Um dial eclético é muito mais eficiente do que ter todas as FMs do dial ecléticas e imprevisíveis.

Agora imagine a situação oposta: eu sintonizo a 87,9 FM e ela toca aleatoriamente forró, pagode, pop, lentas internacionais. Mudo para a 90,5 FM e ela toca forró, pagode, pop, lentas internacionais. Vou para a 104,3 FM e ela também está tocando forró, pagode, pop, lentas internacionais. Resultado: temos um dial irritante e repetitivo.

Eu amo emissoras nichadas, previsíveis aos meus ouvidos. Assim, basta seguir minhas vontades e sintonizar exatamente aquela que me atende.

Apontamento mais direto:

1) “rádio como prateleira”

Cada frequência é um “produto” claramente definido.

  • O ouvinte não precisa “testar” a emissora.

  • Ele sabe previamente o que encontrará.

  • Isso reduz frustração e aumenta tempo de permanência.

Previsibilidade + curadoria.


2) Mais eficiente economicamente do que parece

Emissoras nichadas:

  • Têm branding mais claro

  • Facilitam venda de publicidade segmentada

  • Custam menos para se posicionar (menos disputa por “todo mundo”)

Já rádios generalistas:

  • Tentam agradar a todos

  • Frequentemente não fidelizam ninguém

  • Acabam virando commodities no dial


3) Comportamento de consumo moderno

O ouvinte atual:

  • Não é fiel a marcas

  • É fiel a momentos

  • Alterna estilos ao longo do dia

Mudar de estação conforme o humor. Isso é exatamente o mesmo padrão observado em Spotify, YouTube Music e playlists sob demanda.


4) Um vício histórico do rádio brasileiro

No Brasil, criou-se uma cultura de:

“Rádio boa é a que toca de tudo um pouco” (MITO!, puro MITO)

Esse modelo nasceu quando:

  • Existiam poucas emissoras

  • Poucas opções de mídia

  • Baixa concorrência

Hoje isso virou anacronismo.


5) Saudável para o dial

  • Menos rádios brigando pelo mesmo ouvinte

  • Menos guerra de playlist

  • Mais identidade

  • Mais diversidade real

Paradoxalmente, menos “rádios ecléticas” gerariam um dial muito mais diverso.


!Ponto de atenção!

Em mercados muito pequenos, não há público suficiente para sustentar nichos, é um modelo metropolitano


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