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Strategy Engineering

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O rádio analógico vem definhando e tem medo de se digitalizar. Definha justamente por não se digitalizar

A ilha do rádio analógico vem se encolhendo, definhando, enquanto muitos ainda relutam em aceitar a necessidade de digitalização.

Cada vez mais vejo postagens que tentam, de forma quase feroz, demonstrar que o rádio está imune à internet. Isso simplesmente não é verdade. Negar esse problema é como negar um câncer: ao negar a doença, nega se também a possibilidade de tratamento.

É evidente que o rádio não pode se salvar tentando “matar” a internet. E uso aqui o termo internet em um sentido amplo. A concorrência não vem apenas de serviços diretos de áudio, como Spotify, plataformas de streaming ou YouTube, que oferecem áudio e vídeo. Existe também uma disputa muito mais profunda: a disputa pelo tempo de atenção das pessoas.

Essa disputa retira o ouvinte do hábito de ouvir rádio. Hoje, o rádio praticamente se entrincheirou nos carros. Duvida? Faça um teste simples: existe um rádio disponível no seu quarto? Na sua sala? Em algum outro lugar da sua casa?

O rádio digital é, na prática, a única possibilidade real de sobrevivência do meio. Mas há vários saltos que ainda precisam ser dados. Não basta transformar o rádio em um sistema com som apenas “mais limpo”. Isso é absolutamente insuficiente para garantir a sobrevivência do rádio digital.

A digitalização precisa criar um ecossistema muito mais amplo do que a simples distribuição de áudio. O ambiente digital permite inúmeras possibilidades. Existem caminhos completamente novos que podem ser explorados, algo que pretendo detalhar melhor quando minha patente estiver formalizada.

Curiosamente, muitas das soluções discutidas hoje caminham na direção oposta do que seria necessário. O que vemos são modelos de rádio digital com baixa penetração popular, por razões diversas e cumulativas.

Em geral, os sistemas são caros para os radiodifusores implantarem. Os receptores disponíveis no mercado são caros ou extremamente básicos, com qualidade de áudio que muitas vezes nem entusiasma. Em muitos casos, a experiência final ainda é inferior ao streaming de áudio que chega de brinde pela internet.

Não há mistério para a baixa adesão do rádio digital no mundo. Em praticamente todos os países que decidiram digitalizar o dial, foi necessário investir continuamente em campanhas e em grandes incentivos financeiros. Isso, por si só, já revela um problema estrutural: o produto ainda não é naturalmente atrativo para a população.

É uma frase dura, mas precisa ser dita com clareza: os modelos atuais de rádio digital ainda não seduzem o público.

Mais do que isso, muitas vezes nem os próprios radiodifusores aderem espontaneamente.

A digitalização costuma avançar apenas quando há incentivos fortes ou pressões regulatórias do Estado. Isso é estranho. É como obrigar todos a comprar um modelo de carro em que os próprios compradores não confiam, um carro que acreditam que pode parar no meio do caminho.

Existe, sim, um mundo sensacional capaz de salvar o rádio: sua digitalização. Mas há ajustes profundos de ecossistema que ainda não foram percebidos ou compreendidos.

Isso inclui inclusive ajustes tecnológicos que poderiam simplificar enormemente a popularização do rádio digital, mas que continuam passando despercebidos.

Eu observo essa questão a partir de um ponto de vista peculiar. Estou na base da pirâmide de audiência, mas ao mesmo tempo consigo traduzir tecnicamente o que seria necessário para que o rádio digital realmente me seduzisse como usuário.

E preciso dizer com franqueza: por enquanto, todos os modelos disponíveis estão passando longe disso.

O sistema que primeiro compreender essas questões terá uma vantagem decisiva. Seu crescimento virá naturalmente, impulsionado pelos próprios usuários que habitarão esse novo ecossistema, um ecossistema saudável que, por enquanto, ainda não existe.

O Brasil entrou em uma verdadeira encruzilhada. Nenhum sistema digital chegou ao país acompanhado desse ecossistema saudável. Na verdade, nenhum sistema digital existente ainda atingiu esse nível de maturidade.

Os testes realizados décadas atrás já mostraram diversos problemas: custos elevados, dificuldades de transição e um ambiente técnico complexo.

O Brasil errou ao não digitalizar o rádio naquele momento? Não.

E não errou porque, apesar de inicialmente haver grande entusiasmo por parte dos radiodifusores, os próprios testes acabaram impondo a realidade. Não seria barato. Não seria revolucionário. Seria apenas um caos contratado.

Talvez muitos radiodifusores ainda não saibam exatamente o que seria necessário para tornar o rádio digital verdadeiramente sedutor. Mas, no fundo, percebem que os modelos atuais são insuficientes.

Passei mais de vinte anos estudando comportamento de audiência, adoção tecnológica e modelos de distribuição de áudio. Para mim, ficou absolutamente claro quais são os elementos necessários para virar esse jogo.


A digitalização é o caminho

O rádio precisa se emparelhar com as brutais formas de concorrência que surgiram nas últimas décadas. Mas não se trata de qualquer digitalização. Adotar um sistema ou outro exatamente da forma como hoje se apresentam ainda é algo insuficiente.

O caminho, sem dúvida, é digitalizar. Porém, isso exige ajustes profundos no ecossistema. Não basta oferecer apenas um rádio com som mais limpo ou algo que se pareça apenas com um RDS melhorado.

O ambiente digital permite muito mais do que isso. O ecossistema do rádio digital precisa incorporar diversas novas possibilidades que hoje ainda não estão plenamente exploradas.

Na verdade, existem atalhos tecnológicos extremamente interessantes que poderiam inclusive tornar os sistemas atuais mais baratos, mais eficientes e mais rentáveis. O problema é que muitos desses caminhos ainda passam despercebidos.


Mas também preciso ser honesto: não pretendo entregar gratuitamente essa fórmula.




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