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Strategy Engineering

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Por que o Brasil não se esforça para digitalizar o rádio? Por que não opta por DAB, HD Radio ou DRM?

O que seria, de fato, digitalizar o rádio no Brasil? Seria apenas melhorar a qualidade sonora percebida pelos ouvintes? Seria eliminar chiados e outros ruídos da transmissão? O alcance mudaria? Teríamos um “RDS” mais completo, com mais funcionalidades?


  • A digitalização implicaria, necessariamente, em poder sintonizar no carro uma emissora com todas essas características?

  • Hoje, no Brasil, é impossível ouvir a versão digital da minha FM favorita, com qualidade de áudio significativamente superior?

  • É impossível, no cenário atual, continuar ouvindo essa mesma emissora por muitos quilômetros além do alcance da sua transmissão analógica em FM?

  • É impossível, hoje, receber na tela informações vindas dessa versão digital, incluindo, por exemplo, o título da música e até imagens associadas?


Agora, um exercício de realidade: se eu precisasse ir de Natal até Recife, cerca de 280 quilômetros, durante uma final de Copa do Mundo entre Brasil e Argentina, e quisesse acompanhar a partida com atenção total, em áudio limpo, com qualidade superior ao AM ou FM e sem chiados, isso seria impossível hoje no Brasil? Não? Tem certeza?

Se eu te oferecesse R$ 100 por uma ideia que permitisse fazer exatamente isso durante essa viagem, ouvir a narração desde a saída até a chegada, na mesma emissora, com som limpo, você realmente não conseguiria me responder em poucos minutos?

É mesmo impossível sair de Natal e chegar a Recife ouvindo um áudio nessas condições?


Ou ouvir um trecho como esse?



E se existissem o Bluetooth e a rede 5G? Ops, eles já existem.



A digitalização implicaria em poder “sintonizar”, no carro, uma emissora com todas essas características?

Resposta: Já temos como “sintonizar” quando escolhemos qual streaming ouvir.

É impossível, hoje, no Brasil, ouvir a versão digital da minha FM favorita com qualidade de áudio bem superior?

Resposta: O streaming já é uma transmissão digital. Emissoras tecnicamente bem estruturadas utilizam a saída digital dos processadores diretamente para o servidor de streaming, a mesma base utilizada em sistemas como HD Radio, DRM ou DAB. Um streaming em AAC+ a partir de 64 kbps já é suficiente para entregar áudio superior a qualquer transmissão analógica em FM.

É impossível, hoje, no Brasil, continuar ouvindo a versão digital da minha FM favorita por muitos quilômetros além do alcance da sua versão analógica?

Resposta: O streaming, por si só, não depende da distância da emissora, mas sim da cobertura da rede 4G e 5G. Não existe cobertura absolutamente total, mas ela é praticamente contínua nas áreas povoadas e em grande parte das rodovias. Isso permite, por exemplo, sair de Natal e chegar a Recife com streaming ativo na maior parte do trajeto.

É impossível, hoje, no Brasil, receber na tela informações vindas da versão digital da minha FM favorita, incluindo imagem do conteúdo transmitido?

Resposta: Dependendo da plataforma utilizada pela emissora, é possível exibir imagens, textos e metadados de forma muito mais completa do que qualquer sistema baseado em RDS.


Essa é a montanha de contra argumentos à digitalização do rádio no Brasil. Entrar em negação não ajuda em nada a conquistar o mercado. Existe um caminho correto para alcançar esse objetivo, e não é o adotado pelos três grandes padrões.


O conjunto de pontos serve como base para entender o desafio real. O rádio digital via UHF, VHF, FM, AM ou ondas curtas precisaria oferecer um salto muito relevante para se tornar atraente no Brasil. Ele teria que competir com um cenário em que os sistemas multimídia dos carros caminham rapidamente para ter internet nativa e, mesmo hoje, basta parear o Bluetooth do smartphone para acessar qualquer emissora via streaming com qualidade digital.

Existe uma saída para esse cenário? Sim, existe. Há caminhos tecnicamente viáveis e já em teste. E, definitivamente, não se trata de uma “máquina de escrever sofisticada” tentando competir com os computadores.

Mas é importante deixar claro: após mais de duas décadas desde o início dos anos 2000, a tentativa de implantar padrões tradicionais de rádio digital se tornou muito mais difícil. Hoje, a pergunta que muitos radiodifusores fazem é direta e pragmática: para que digitalizar o FM?

Ainda assim, o rádio não pode permanecer analógico indefinidamente. Em algum momento, haverá um vácuo entre o modelo analógico e o domínio do streaming digital. E é justamente nesse espaço que surgirá a solução. Ela existe, mas ainda não é o momento de detalhá-la.

 
 
 

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