

Novo aeroporto de João Pessoa: caminho livre com a nova ponte
Um novo aeroporto do outro lado do rio Paraíba, localizado a apenas 5 km da Praia do Bessa e a 4 km da Praia do Jacaré Desde que vi...

Ricardo Gurgel
11 de set. de 20257 min de leitura





Sabemos que cada emissora comercial de uma cidade opera em uma frequência diferente, e isso tem um motivo autoexplicativo: evitar a interferência mútua. Caso não houvesse essa separação, teríamos a destruição da audiência, pois seria impraticável ouvir e compreender qualquer uma das emissoras. Não falo apenas da mistura de áudio; muito além disso, o que prevalece é o ruído e o chiado constantes.
É claro que, quando existe um distanciamento suficiente entre as transmissões, ou seja, fora dos domínios de contorno protegido, torna-se admissível que uma cidade tenha uma emissora operando, por exemplo, em 107,9 MHz e que outra cidade, desde que esteja a uma distância superior ao contorno protegido de ambas, utilize a mesma frequência. Nessa situação, há permissão regulatória e, em tese, isso não se torna um problema.
No entanto, uma coisa são cidades separadas por 300 km; outra, bem diferente, são cidades que contam com emissoras de alta potência, mas que estão a pouco mais de 100 km de distância entre si. O sinal, dentro de cada capital sede dessas emissoras, não apresenta problemas de prevalência. Porém, o comportamento do sinal entre essas duas cidades não é, como muitos imaginam, uma simples “troca limpa” de cobertura.
Em Natal há um exemplo bastante notório de como essa transição se estabelece: forma-se uma extensa zona de considerável impureza, onde dois sinais operam na mesma frequência. Trata-se de uma emissora de João Pessoa, que originalmente operava em AM e que, pelas regras da migração, converteu-se para FM. Já em Goianinha/RN percebe-se um aumento significativo dos ruídos no sinal proveniente da emissora de Natal, aqueles chiados que já causam incômodo. Poucos quilômetros à frente, passa a prevalecer o sinal da emissora de João Pessoa, ainda bastante impuro e também carregado de ruídos, mas, a partir de Canguaretama em diante, torna-se possível ouvir a emissora paraibana com muito menos incômodo.
Nesse cenário, a FM natalense perde cobertura em cidades importantes e relativamente próximas de Natal. A emissora de João Pessoa, por sua vez, acaba ganhando, queira ou não, não apenas as cidades próximas ao limite entre os estados, mas também localidades mais internas. Com isso, um concorrente direto no mesmo segmento da FM natalense passa a ter sinal praticamente único nessas áreas, deixando de enfrentar essa concorrência direta.
É claro que o foco principal é Natal, e isso tem o maior peso estratégico. Porém, a capital concentra anunciantes cujo objetivo é alcançar tanto as cidades da região metropolitana quanto outras além desse domínio imediato. Assim, um concorrente com o mesmo perfil de público e que consiga cobrir as cidades perdidas pela emissora natalense tende a ganhar preferência na alocação do orçamento de marketing.

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