Esqueçam o RDS e foquem no streaming da sua rádio, o RDS é apenas um código Morse
- Ricardo Gurgel

- 19 de abr.
- 2 min de leitura
Esqueçam o RDS e foquem no streaming da sua rádio, o RDS é apenas um código Morse
Não quero, de forma alguma, diminuir a importância vital do código Morse. Ele salvou vidas e foi criado com os melhores propósitos. O ponto aqui é outro: não estamos mais na era da invenção da roda, hoje usamos rodas de liga leve e buscamos extrair o máximo desempenho dos motores.
Imagine sair de Natal em direção a João Pessoa pela BR-101, ouvindo uma emissora. Você inicia o percurso e segue com áudio limpo, sem chiados. Ao longo de cerca de 50 quilômetros, não há qualquer interrupção perceptível. Em um ou outro momento, há talvez cinco segundos de silêncio e, em seguida, o som retorna estável e limpo. Na tela, aparecem o nome da música, o artista e, além disso, informações sobre o clima e manchetes ilustradas com imagens.
Seria isso uma nova tecnologia? Não exatamente. Trata se do streaming, que entrega uma faixa de áudio que pode chegar a 20 Hz a 20.000 Hz, enquanto o FM opera, na prática, entre cerca de 50 Hz e 15.000 Hz. Ou seja, o streaming alcança extremos de frequência mais amplos, com graves mais profundos e agudos mais cristalinos, com um ponto crucial: sem variações perceptíveis de qualidade e sem chiados.
“Ah, mas a cobertura de internet é imprevisível.”
Esse argumento fez sentido em 2010, não em 2026. Hoje, em trajetos como Natal a João Pessoa, é plausível ter conectividade em cerca de 98% do tempo. Em uma viagem de 100 minutos, isso significaria aproximadamente 98 minutos de áudio contínuo em alta qualidade e apenas 2 minutos (30 segundos em um trecho, 15 em outro, 5 em outro e 1:10 no último), somados, de eventuais silêncios.
A pergunta
Como o RDS, limitado à exibição de texto básico, conseguiria competir a ponto de fazer o ouvinte abandonar o streaming para ouvir a mesma emissora em FM durante esse percurso?


















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