DRM ou DAB+: Simulação do melhor modelo para o Brasil
- Ricardo Gurgel
- 21 de mai.
- 1 min de leitura
A comparação entre DAB+ e DRM (Digital Radio Mondiale) em condições igualitárias de implementação no Brasil exige uma análise criteriosa, pois ambos têm vantagens distintas e poderiam, inclusive, ser complementares. Mas se o cenário exigisse escolher apenas um como dominante, aqui vai uma análise profunda para prever qual venceria no Brasil.
Comparação direta: DAB+ vs. DRM em condições igualitárias
Critério | DAB+ | DRM |
Faixa de frequência | Banda III (VHF) e L-band (frequências altas, como TV digital) | AM, FM e VHF (pode funcionar nas faixas já existentes) |
Uso de espectro | Requer nova organização do espectro | Usa o espectro já ocupado pelas rádios AM e FM |
Modelo de transmissão | Multiplex (1 transmissor transmite até 20 canais) | Um transmissor por emissora, como no sistema atual |
Qualidade de áudio | Alta (AAC+) | Muito alta (xHE-AAC, especialmente no DRM+) |
Cobertura geográfica | Ideal para áreas urbanas/regiões densas | Ideal para áreas remotas/rurais (especialmente em AM) |
Inclusão de rádios pequenas | Permite compartilhar multiplex (mais barato) | Permite usar transmissores pequenos e baratos em AM e FM |
Multimídia e dados | Texto, imagens, EPG, tráfego | Texto, imagens, até vídeo em DRM+ |
Penetração global | Europa, Oceania, partes da Ásia | Índia, Rússia, países em desenvolvimento |
Custo de implementação | Alto inicialmente (infraestrutura nova de multiplexes) | Muito baixo (reaproveita torres e transmissores com atualização) |
Compatibilidade com carros | Padrão crescente na Europa e Ásia | Ainda pouco comum, mas barato de integrar em países em desenvolvimento |
Cenário brasileiro: qual venceria?
Se a prioridade for:
Cobrir rapidamente todo o território nacional (incluindo regiões remotas do Norte, interior e fronteiras),
Aproveitar torres e espectro já existentes (AM e FM),
Garantir sustentabilidade para rádios públicas e educativas com pouco orçamento...
DRM teria vantagem clara. |
Se a prioridade for:
Criar um novo ecossistema digital mais moderno, robusto e plural,
Incluir dezenas de rádios por cidade em um mesmo transmissor,
Adotar um modelo parecido com o da TV digital (multiplex, conteúdo extra, interatividade)...
DAB+ seria a melhor escolha. |
Mas... e se os dois convivessem? Na prática, o ideal para o Brasil seria um modelo híbrido DAB+ + DRM, como já sugerido por especialistas internacionais e é o formato que mais simpatizo, o formato que vejo vencedor
|
Conclusão: quem venceria?
Situação 1:
Se fosse obrigado a escolher apenas um padrão dominante para o Brasil em condições igualitárias, DRM provavelmente venceria, pelos seguintes motivos práticos:
Exige menos investimento inicial.
Pode modernizar diretamente rádios AM (muito comuns no interior).
Permite cobrir o território nacional com menos torres.
Seria mais facilmente aceito por rádios pequenas e médias.
É mais viável em um país com desigualdades regionais e de infraestrutura como o Brasil.
Situação 2:
Com concorrência aberta entre os dois sistemas no Brasil, o DAB+ é superior tecnologicamente e ideal para centros urbanos. DRM é mais prático, democrático e barato para o interior brasileiro, os sistemas iriam naturalmente buscar esta alocação ambiental, ou seja, um seria para as grandes cidades e o outro para pequenas e médias
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