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Strategy Engineering

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Tivemos testes amplos de um novo padrão de rádio digital esta semana e não foi DAB+, HD Radio nem DRM

Atualizado: 7 de fev.

Esta semana tivemos testes de um novo padrão de rádio digital e, como o título já antecipa, nenhum dos três grandes padrões participou desses ensaios. O trabalho foi de caráter experimental e laboratorial, mas também contou com amplo giro em campo e por diferentes situações geográficas. Os testes, além da fase mais científica e preparatória, voltada à produção de papers com parâmetros, descrições, detalhamentos e um conjunto amplo de informações e comparações, foram extremamente práticos.

Esse material servirá tanto aos curiosos em geral quanto como documento oficial para análise, possibilitando testes acompanhados por órgãos competentes, agora em escala e em campo, já sob olhares mais amplos do mundo. Assim, grande parte dessa curiosidade tende a ser gradualmente revelada.

Comparativos diretos e robustos sobre a cobertura das rádios em transmissões analógicas versus transmissão digital, além da diversidade de locais de captação, foram exaustivamente explorados. Testes de repetição permitiram obter registros contundentes que comprovam a invariabilidade do desempenho frente a mudanças atmosféricas ou a eventos elétricos proximais.


Algumas observações dos testes já podem ser adiantadas:

  • Conflito entre sinais analógicos e digitais: não foi observado.

  • Delay entre o sinal analógico e o digital: sim, como esperado em transmissões digitais.

  • Comparativo de sombras entre sinal analógico e digital: o digital apresentou praticamente ausência de sombra dentro do contorno protegido. O sinal silenciado representou apenas 0,027% do percurso A e não houve corte no sinal no percurso B. Já o sinal analógico apresentou diversos pontos de ruído e fadings (detalhamento em mapa).

  • Qualidade do áudio digital: configurável. No teste foi utilizada taxa de 96 kbps em AAC+.

  • Distância máxima de afastamento entre o veículo captador e a emissora (linha direta): percurso A com 28,5 km e percurso B com 25,4 km.


O país de realização dos testes permanecerá, por ora, sob reserva, sendo divulgado em momento oportuno.


Em termos de custos de implantação, e exatamente por apresentar custos muito baixos tanto para as emissoras quanto para os ouvintes, isso explica o seu surgimento, mesmo em um estágio tardio, tornando possível entrar em campo apesar da existência de players que já atuam há décadas. Outro ponto crucial, e talvez com impacto ainda maior na confiança para a adoção deste novo sistema, é justamente o fato de sua implantação ser mais simples e rápida. Esses fatores combinados explicam por que é possível entrar em campo mesmo com gigantes como DAB+, HD Radio e DRM já em operação há muitos anos.

O outro ponto de diferenciação é que este padrão de transmissão digital, embora seja ajustável em termos de taxa de kbps e amostragem, demonstra que é desnecessário reduzir a qualidade para obter estabilidade de recepção nos receptores. Pelo contrário, iremos desaconselhar fortemente transmissões abaixo de 64 kbps em AAC+, para que fique claramente entendido que a radiodifusão digital tem como premissa a confiabilidade plena de sintonia e uma qualidade de áudio superior a qualquer transmissão analógica em FM ou AM.

Sobre mim – Ricardo C. F. Gurgel

Há coisas na vida das quais simplesmente não se consegue fugir. Sempre tive hiperfoco em rádio e em tudo o que se conecta a esse mundo das comunicações e, sim, perdi muito tempo e dinheiro apenas pensando em assuntos relacionados ao rádio. Passei fins de semana fazendo cálculos, elaborando suposições e tendo muitos outros pensamentos que seriam inimagináveis para a maioria das pessoas. Afinal, em geral, foi muita energia dedicada a coisas sem qualquer sentido financeiro, nada além de um hobby: pensar em rádio e nas novas formas que o rádio poderia assumir.

Não sou nada extraordinário. Levo uma vida comum, mas um dos aspectos de ser hiperfocado é que você pode realmente se fixar em coisas vistas como banais, sem qualquer pressão externa por soluções. Pode ser algo tão aleatório quanto cascas de baratas e, ainda assim, acabar descobrindo uma cera com proteção UV. São justamente essas “absurdidades” que o hiperfoco pode levar às descobertas mais improváveis.

Desde os primeiros anos após os anos 2000, penso sobre a digitalização do rádio e, desde o início dos primeiros testes de sistemas digitais no Brasil, tive uma visão clara de que esses modelos não avançariam de forma significativa. Bem, mais de 15 anos depois, essa visão foi confirmada e ainda mais reforçada pelo declínio de interesse. Não houve sequer um pequeno avanço. Hoje, o que temos é um nível de interesse muito menor do que naquela época.

E o curioso é que a solução foi se formando em minha mente sem que eu percebesse, à medida que eu criava uma arquitetura que de fato resolveria exatamente as questões que paralisaram e geraram o desinteresse pela digitalização do rádio no Brasil.

E quando a última peça me chegou na forma de um devaneio aleatório, em poucos minutos consegui imaginar todo o processo de uma real transição do rádio analógico para o digital, e esse modelo de solução me deixou a poucos passos de montar e simular o seu funcionamento.

É claro que tomei providências para garantir registros tanto nacionais quanto internacionais, e existem prazos que precisam ser respeitados antes de qualquer divulgação ampla e totalmente detalhada. Trata-se de um processo natural que eu não poderia ignorar.

Eu nem sequer precisei de uma grande infraestrutura para os testes, o que é ainda mais animador. Trata-se de uma estrutura compatível com prazos e níveis de investimento razoáveis, fatores-chave para solucionar a lenta adoção de padrões digitais que, há décadas, vêm travando batalhas brutais para conquistar avanços mínimos e caros.

E quanto à indústria que já se comprometeu com outros padrões? Sinceramente, isso não é um problema para elas. Pense nisso como ganhar muito dinheiro vendendo iPhones em 2010 e ganhar ainda mais, em escala, com um lançamento massivamente desejado em 2026. Na verdade, um ou mais padrões podem até se tornar parceiros. Não vejo nada de sustentável em um modelo baseado em voluntariado. Tudo sai muito mais barato quando existe um preço justo. É paradoxal, mas pedidos de “colaboração” soam estranhos, porque as indústrias vão ganhar rios de dinheiro quando voluntários acabarem promovendo seus padrões de qualquer forma.

 
 
 

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