top of page

Prevejo a rádio TMC com audiência muito baixa

Como se posiciona a TMC

Assim como ocorre com a média do jornalismo, trata se de um perfil notoriamente de esquerda, ainda que nem sempre declarado de forma explícita


Como é o público que realmente tem "saco" para ouvir uma rádio "jornal/esporte"

Dimensão

Características predominantes

Gênero

Majoritariamente masculino

Faixa etária

Adultos e meia idade (aprox. 30 a 65 anos)

Perfil econômico

Economicamente ativo, trabalhadores formais, empresários, profissionais liberais, gestores, autônomos

Renda

Média, média alta e alta

Escolaridade

Média completa a superior, com forte presença de ensino superior

Interesses centrais

Economia, política institucional, mercado financeiro, impostos, negócios, geopolítica, poder

Motivação para consumir jornalismo

Compreender riscos, antecipar cenários, tomar decisões econômicas e profissionais

Forma de consumo

Hábito diário, recorrente, muitas vezes várias horas por dia

Relação com dados

Forte valorização de números, indicadores, estatísticas, correlações e causalidade

Tolerância à superficialidade

Baixa; rejeita slogans, clichês e análises rasas

Expectativa editorial

Análise objetiva, pragmática, com leitura de incentivos e consequências

Posicionamento ideológico predominante

Pró mercado, liberal, conservador ou direita institucional

Visão sobre empreendedorismo

Positiva; vê o empreendedor como gerador de riqueza e emprego

Visão sobre Estado

Cética quanto à eficiência estatal; crítica a excessos regulatórios e carga tributária

Reação a jornalismo militante

Alta rejeição; percebe rapidamente viés ideológico

Fidelidade à marca

Alta quando há coerência editorial; muito baixa quando há ambiguidade

Sensibilidade à incoerência

Muito elevada; inconsistências geram abandono imediato

Critério de confiança

Previsibilidade ideológica implícita, coerência ao longo do tempo

Comportamento diante de mudança editorial

Abandona rapidamente se perceber ruptura ou desalinhamento

Valor comercial para anunciantes

Alto; público decisor, formador de opinião e com poder de consumo

A previsão de um desempenho fraco possivelmente ainda pior do que o da fase final da Transamérica não nasce de antipatia pela marca nem de torcida ideológica. Ela nasce da observação fria de como a audiência de rádio se forma se mantém e se perde especialmente quando o produto em questão tenta disputar o território da informação.

A mudança de identidade para TMC não corrigiu o problema central: a emissora não sabe exatamente para quem fala. E no rádio falar para todo mundo equivale a não falar para ninguém.

O primeiro erro foi a destruição de equity sem contrapartida clara. A Transamérica embora desgastada ainda carregava memória afetiva associação esportiva e reconhecimento espontâneo. A TMC surge como uma marca nova sem lastro emocional e sem uma promessa simples de ser compreendida em poucos segundos. Em um dial congestionado como o de São Paulo isso é fatal. O ouvinte não faz esforço cognitivo para entender uma emissora ele simplesmente gira o botão.

O segundo problema é o posicionamento difuso. A TMC não é uma rádio musical clara não é uma rádio jovem não é uma adulta contemporânea clássica e tampouco assume com coragem o território do jornalismo duro. Ela oscila entre formatos tons e intenções. O resultado é previsível: não cria hábito. E sem hábito rádio não sobrevive.

Mas o ponto mais grave e aqui entra o argumento central é o desalinhamento ideológico e cultural com o público que consome informação de forma intensiva.

O público fanático por informação sobretudo economia e política não é um público genérico. Trata se majoritariamente de um público masculino adulto economicamente ativo interessado em números incentivos mercado poder impostos negócios e geopolítica. É um público pragmático que pensa em termos de custo risco retorno e consequência. E por definição é um público majoritariamente pró mercado liberal ou de direita.

Esse público não tolera jornalismo que demoniza lucro que trata o empreendedor como vilão moral que relativiza eficiência econômica ou que substitui análise por militância. Ele rejeita narrativas abstratas que ignoram incentivos reais e desprezam o funcionamento concreto da economia. E sobretudo ele percebe rapidamente quando uma emissora fala de economia sem gostar de quem produz riqueza.

A TMC tenta disputar esse ouvinte oferecendo um cardápio editorial muito semelhante ao jornalismo majoritariamente de esquerda que domina boa parte da mídia brasileira: crítico ao mercado desconfiado do empreendedorismo moralista na forma e raso na análise econômica. O resultado é um paradoxo clássico: fala para um público que não a procura e afasta o único público que poderia ser fiel.

O ouvinte pró mercado não cria vínculo. O ouvinte de esquerda já possui veículos com os quais se identifica historicamente. A TMC fica no meio do caminho sem base leal sem identidade clara e sem comunidade de ouvintes. Em rádio informativo isso é sentença de irrelevância.

Some se a isso o fato de que jornalismo exige confiança e previsibilidade ideológica implícita. O ouvinte precisa saber o que esperar. Não no sentido de concordar com tudo mas de reconhecer coerência. Quando a emissora tenta agradar a todos o efeito prático é desagradar a quem realmente sustenta audiência consistente.

Por fim há o erro clássico de confundir discurso bonito com produto competitivo. Rebrandings costumam impressionar executivos e consultores mas audiência não se conquista em apresentação institucional. Conquista se com foco brutal clareza de público e coragem de assumir um lado não partidário mas cultural e econômico.

Se a previsão de baixa audiência da TMC se confirmar ela não será fruto do acaso. Será consequência direta de erros de targeting de posicionamento editorial e de incompreensão profunda sobre quem consome informação no rádio e por quê. O rádio informativo não perdoa ambiguidade não tolera incoerência e não recompensa quem despreza o perfil real do seu público.

Nesse sentido a queda não será surpresa. Será apenas a confirmação de uma lógica que o mercado insiste em ignorar e que a audiência insiste em respeitar.

 
 
 

Comentários


autor2jpeg_edited_edited.jpg

 ricardocfg2025
@gmail.com

br.png
us.png
ar.png

Strategy Engineering

grupo_edited.png
bottom of page