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Strategy Engineering

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O rádio digital precisa deixar de ser o filme fotográfico e se tornar a fotografia digital, precisa se tornar a Internet 4.0

Não adianta se tornar a máquina de escrever mais avançada do mundo, esse, aliás, deveria ter sido o pensamento das fabricantes quando o computador surgiu. Não adianta ser a câmera fotográfica mais avançada do mundo quando os celulares se transformaram nas câmeras mais portáteis e acessíveis do planeta. Não adianta fabricar o melhor filme fotográfico do mundo e esnobar a fotografia digital, será a população que vai esnobar o seu filme.

O rádio analógico continua dominante no Brasil e não há qualquer movimento concreto de rendição aos modelos DRM, DAB ou HD Radio. Na realidade atual, esse movimento simplesmente não vai acontecer. Não existe entusiasmo, nem técnico, nem econômico, nem comercial, para a adoção de qualquer um desses padrões.

E esse desinteresse não pode ser analisado de forma simplista, como se fosse apenas um caso de “o Brasil não sabe o que está perdendo por não se digitalizar”. Esse tipo de pensamento pouco contribui para entender o problema real, a incapacidade desses modelos de se tornarem atraentes não apenas no Brasil, mas em grande parte do mundo.

Não há estímulo econômico para manter vivo o entusiasmo das formiguinhas que defendem a digitalização tradicional. Na prática, o rádio já é digital no Spotify. A sua rádio analógica já é digital via streaming. A internet já oferece rádio e todo o restante do ecossistema digital em um só lugar.


Então surge a pergunta inevitável, qual é a real razão para o rádio digital?

A resposta, goste se ou não, é clara, as rádios brasileiras não têm incentivo para migrar, porque já são digitais na internet, e a um custo muito menor.

Esse argumento pode parecer provocativo, mas não é apenas meu. Ele é resultado de sete meses de conversas com radiodifusores e, surpreendentemente, também com ouvintes. O resumo recorrente foi direto, “Para que rádio digital, se já existe streaming?”

Para o ouvinte, já é algo gratuito, nem é preciso comprar um receptor. Para o radiodifusor, é infinitamente mais barato do que investir milhões em infraestrutura de transmissão digital terrestre.

Quando não se pode vencer o inimigo, junta se a ele. Foi exatamente o que o rádio fez quando a internet passou a ridicularizar quem a ignorava. As emissoras deixaram de resistir e passaram a ocupar o ambiente digital, criaram canais no YouTube, fortaleceram presença nas redes sociais e ampliaram sua atuação para além da transmissão tradicional. Hoje, há rádios com perfis no Instagram maiores que a população das cidades onde operam.

Se o rádio digital quiser, de fato, seduzir os países que hoje o ignoram, precisará ser mais do que um áudio perfeito com um super RDS. Terá que se aproximar de uma lógica de Internet 4.0, o que inevitavelmente levanta questões sobre compressão, tráfego de dados e arquitetura de distribuição.

Não se trata de replicar bit a bit o que a internet já é hoje, mas de compreender que o problema nunca foi apenas tecnológico, sempre foi de proposta de valor.

E é exatamente por isso que o rádio digital não seduz. E também por isso que, em muitos países onde foi adotado, é necessário praticamente subsidiar o ouvinte para que ele o utilize.

Existe, sim, uma arquitetura potencialmente muito mais rentável e, principalmente, desejável, onde o ouvinte teria real interesse em consumir rádio digital.

E é aí que começa a discussão que realmente importa.


Se a entidade “rádio digital” tivesse a oportunidade de perguntar aos ouvintes e radiodifusores do mundo por que eles não a amam, a resposta seria simples

Você é complicado, caro e não me oferece nada além do que a internet já me entrega. Posso ouvir 30 mil rádios e muitas delas com qualidade superior a diversas emissoras DAB por aí.

Diante disso, a entidade “rádio digital” ficaria irritada e teria dois caminhos. O primeiro, mais natural, seria recorrer ao frágil e infrutífero ato de negação. Continuaria fora do jogo e seguiria sendo esnobada, como vem acontecendo há décadas.

O segundo caminho, mais inteligente, seria tentar se reinventar. Ser, como já foi dito, algo além de um áudio limpo com um RDS incrementado.


 
 
 

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