Não é HD Radio, DRM ou DAB: o Rádio Digital chegou ao Brasil, e a Omoda Jaecoo já adotou o sistema em seus modelos. Veja como colocar sua rádio nesse novo padrão!
- Ricardo Gurgel

- há 1 dia
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Atualizado: há 1 dia
Os modelos de rádio digital, como HD Radio, DRM e DAB, demandam grandes investimentos e um longo tempo de implantação, além de enfrentarem uma lentíssima curva de adoção. Isso ocorre tanto por parte dos radiodifusores, que teriam custos gigantescos com a transição, incluindo a troca ou adaptação de antenas, transmissores e outros equipamentos, quanto por parte dos ouvintes, que teriam de comprar receptores digitais, geralmente muito mais caros que os aparelhos analógicos, e ainda precisariam ser fortemente convencidos a realizar essa transição.
Esse cenário produziu, naturalmente, um vácuo de adoção em diversos países do mundo e um baixíssimo avanço do rádio digital na maior parte do planeta. Como consequência, criou-se um ambiente perfeito para que o Rádio IP tenha uma pista livre para avançar em uma velocidade potencialmente centenas de vezes maior em todas as etapas de adoção. Isso começa pelo fato de ser um sistema que pode ter diversos "pais e mães" responsáveis por sua distribuição, com custo de implantação praticamente zero tanto para os radiodifusores quanto para os ouvintes.
Quem está trazendo o Rádio Digital para o ouvinte dentro do carro?
A Omoda Jaecoo já trouxe, em seus modelos 2027, o Rádio IP nativo para seus veículos. E, se você me perguntar se existe diferença na qualidade do Rádio Digital por Rádio IP em relação ao HD Radio, DRM ou DAB, minha resposta é sim, para melhor!
O Rádio IP oferece uma robustez de conexão que permite às emissoras explorar características máximas de qualidade de áudio, utilizando bitrates mais elevados e, consequentemente, transportando muito mais informação sonora, com menor risco de perdas e interrupções quando comparado aos demais sistemas.
O sistema também pode contar com uma antena de captação aprimorada, o que significa que os sinais 3G, 4G e 5G podem ser captados de maneira mais eficiente do que por um celular convencional no mesmo local. Assim, se você sair de Natal em direção a João Pessoa encontrando sinal de telefonia móvel em 95% do trajeto, esse percentual de conexão poderá ser praticamente contínuo no veículo. Dessa forma, será possível ouvir, por exemplo, a Magia FM, de Florianópolis, em altíssima qualidade, sem chiados e, provavelmente, sem cortes durante os cerca de 180 quilômetros do percurso.
A Jaecoo já iniciou a venda dos modelos Jaecoo 7 2027 Luxury e Prestige com Rádio IP nativo, equipados com chip próprio e não dependentes do roteamento de terceiros. Dessa maneira, os veículos contam com sua própria conexão e seu próprio catálogo de rádios digitais, permitindo o acesso a emissoras com pacotes de áudio enviados com qualidade superior à do FM.
O sistema permite ainda ouvir uma emissora digital sem o limite de distância entre o estúdio e o ouvinte, mantendo a qualidade de um sinal digital, sem chiados e com o espectro sonoro completo. Também elimina os cortes e as limitações próprias de uma transmissão modulada, que possui restrições físicas para transportar toda a informação sonora e, ainda assim, não consegue se aproximar da qualidade de áudio proporcionada pelo RADIO IP digital.
É um sistema que não se limita a algumas dezenas de rádios disponíveis em uma determinada região. Também não limita a captação da emissora pela distância em relação ao estúdio, como ocorre nos sistemas tradicionais de radiodifusão. O Rádio IP não limita sequer o idioma da rádio que você deseja ouvir ou o tipo de conteúdo que pretende acessar. E, para o ouvinte, não é necessário adquirir um novo receptor específico nem passar por qualquer processo de novo licenciamento para ter acesso a essa nova forma de rádio digital.
Como disponibilizar o sinal digital da minha emissora no padrão Rádio IP?
1. Derivar a saída digital do processador de áudio
Não adianta ter uma embalagem bonita se o conteúdo não acompanha a qualidade. Basicamente, as rádios precisam derivar uma saída digital diretamente do processador de áudio.
Essa saída digital não tem utilidade para o transmissor FM e, portanto, provavelmente estará ociosa. Ela pode ser utilizada para alimentar o streaming da emissora com um áudio de qualidade muito superior ao da saída analógica destinada ao transmissor.
O áudio que vai para o FM precisa passar por diversos processos específicos, como cortes de frequência, filtros, compressão e outros ajustes que podem modificar o sinal original. Essas alterações são necessárias para adequar o áudio às características e limitações da transmissão em frequência modulada.
Já a saída digital do processador permite aproveitar um sinal mais íntegro e de maior qualidade para o Rádio IP.
2. Transmitir em AAC+ a 64 kbps ou superior (L e R)
Faça o streaming do áudio proveniente da saída digital do processador utilizando o codec AAC+, com bitrate de pelo menos 64 kbps.
Quanto maior a qualidade do áudio disponibilizado na origem e adequada a configuração do encoder, melhor será o resultado final para o ouvinte.
3. Cadastrar a emissora no MyTuner, Tunein e RadiosNet (Radios.com.br)
Cadastre sua emissora nos principais portais e diretórios de streaming de rádio, especialmente no MyTuner.
Estar presente nesses diretórios facilita que a emissora seja encontrada e integrada a diferentes plataformas, aplicativos e sistemas de entretenimento conectados.
Não será apenas nos modelos da Omoda Jaecoo que sua emissora estará disponível como Rádio Digital. Outras montadoras já estão acompanhando essa corrida, e seu sinal poderá estar disponível para qualquer usuário conectado ao sistema Rádio IP

Imparável
O Rádio IP é imparável. Não existe uma força equivalente ao HD Radio, DRM ou DAB+ capaz de fazer o Rádio IP simplesmente recuar, porque ele não depende de uma decisão centralizada para existir. Ele já está presente nos smartphones, nos aplicativos, nas plataformas de streaming e, cada vez mais, nos próprios veículos. Uma emissora pode aderir individualmente, uma montadora pode integrar o sistema e o ouvinte pode começar a utilizá-lo imediatamente.
Tentar impedir essa evolução seria como lutar contra as ondas do mar. O Rádio IP não precisa substituir o FM por decreto, nem esperar que todos os radiodifusores adotem simultaneamente um novo padrão. Ele pode avançar de maneira orgânica, emissora por emissora, plataforma por plataforma, carro por carro e usuário por usuário.
É justamente essa característica descentralizada que considero sua maior força: enquanto os sistemas tradicionais de rádio digital dependem de uma implantação coordenada e de investimentos específicos em infraestrutura, o Rádio IP cresce aproveitando uma infraestrutura que já existe e um hábito de consumo que já foi criado pelo próprio usuário.
Um sistema com permissão e operação imediata
O padrão nem sequer exige novas licenças. Nenhuma emissora precisa obter uma autorização específica para integrar o sistema, pois ele utiliza a infraestrutura de tráfego IP e se vale do direito comum de enviar e receber dados, como qualquer pessoa ou empresa no país que tenha acesso à Internet.
Em outras palavras, sua operação está vinculada ao acesso à Internet e, enquanto esse acesso for permitido no país, não haveria base para impedir tecnicamente sua utilização. Além disso, por operar sobre redes IP, qualquer tentativa de bloqueio específico ao sistema enfrentaria as próprias garantias e os princípios relacionados à neutralidade da rede.


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