Pela primeira vez, as montadoras tradicionais estão sob verdadeiro bombardeio dos (ex ou quase) clientes.
- Ricardo Gurgel

- há 34 minutos
- 1 min de leitura
Não é mais aquela velha lógica de o consumidor simplesmente aceitar o que a montadora oferece, sem ter muito o que fazer. Agora, quando uma montadora anuncia um novo produto, o consumidor vai direto para os comentários e compara. E, quando a ficha técnica é ridícula e os preços continuam arrogantes, o próprio anúncio no Instagram, Facebook ou YouTube se transforma em um painel de críticas contra a marca.
Nos comentários, os clientes fazem comparações diretas com os veículos chineses e expõem, sem muita cerimônia, como determinados lançamentos das montadoras tradicionais ficaram defasados em tecnologia, equipamentos e relação custo-benefício.
Não tenho dúvida de que as coisas vão piorar para essas chamadas montadoras tradicionais. E, sinceramente, não adianta ter pena delas. Durante décadas, elas trabalharam com margens enormes em cima do seu avô, da sua avó, do seu pai, da sua mãe e, agora, de você. Cobraram caro porque o consumidor tinha poucas alternativas.
Isso mudou.
E não adianta tentar convencer o consumidor de que comprar carros chineses vai destruir empregos no Brasil. Se isso conforta a sua consciência, lembre-se de que uma cadeia de importação também gera empregos, movimenta logística, comércio, serviços, concessionárias e toda uma estrutura econômica.
Mas, para mim, essa nem é a questão principal.
O que me importa é que o consumidor brasileiro tenha mais poder de compra e possa adquirir um automóvel com tecnologia, segurança e equipamentos proporcionais ao dinheiro que está investindo.
O consumidor não tem obrigação de proteger margens de lucro de empresas que, durante décadas, tiveram um mercado praticamente cativo.



Comentários