FM em Natal cai para 76 ouvintes conectados ao tentar uma experiência jornalística “padrão”
- Ricardo Gurgel

- 30 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

A emissora ainda fez questão de organizar a grade e cravar horários fixos para seus programas de debate e jornalismo, escolhendo exatamente a faixa clássica de notícias. Ou seja, resolveu entrar em campo para disputar audiência diretamente com rádios que já ocupam esse horário.
É uma emissora relativamente nova em Natal. Quando fica no terreno seguro da música, vai muito bem obrigado. Em vários levantamentos aparece com frequência entre as três mais ouvidas, independentemente da metodologia usada. Até aqui, tudo certo.
O problema começa quando resolve brincar de rádio jornalística padrão e tenta disputar atenção com quem liga o rádio para ouvir debate, notícia e análise. Esse ouvinte não é aleatório, nem neutro. Historicamente, é um público pró mercado, interessado em economia, política e poder sob uma ótica bem pragmática, longe de romantismo ideológico.
Aí entra o erro clássico. A bancada passa a abrir espaço demais para discursos contrários ao mercado, como se esse ouvinte fosse apenas um detalhe irrelevante. Só que não é. O sujeito que gosta desse formato percebe rápido quando a proposta editorial não bate com a expectativa. Sente que foi enganado e faz o que todo ouvinte faz quando algo o incomoda no rádio: gira o dial ou fecha o aplicativo.
O resultado aparece sem necessidade de discurso. A audiência no streaming despenca e vira um espelho do que já está acontecendo no rádio ao vivo. Os números conectados não mentem, não militam e não pedem contexto. Eles apenas mostram a dificuldade enorme de sustentar uma experiência jornalística padrão quando ela ignora completamente quem, de fato, costuma ouvir esse tipo de conteúdo.
É uma emissora relativamente nova em Natal. Quando permanece no terreno musical, vai bem. Muito bem. Em praticamente todos os levantamentos mais confiáveis aparece com participação constante no TOP 3 das mais ouvidas. Nunca liderou as pesquisas, é verdade, mas está sempre no pódio. Para uma FM jovem, isso não é pouca coisa.
O problema começa quando resolve brincar de rádio jornalística padrão e tenta disputar atenção com quem liga o rádio para ouvir debate, notícia e análise. Esse público não surge por acaso. Historicamente, é um ouvinte pró mercado, interessado em economia, política e poder sob uma ótica pragmática, pouco afeita a romantismos ideológicos.
Aí entra o erro clássico. A bancada passa a dar espaço demais a discursos contrários ao mercado, como se o perfil desse ouvinte fosse irrelevante ou intercambiável. Não é. Quem gosta desse formato percebe rápido quando a proposta editorial não conversa com sua expectativa. O sentimento é simples: traição editorial. E a reação é imediata. Fecha o aplicativo, muda de emissora, some.
O resultado aparece sem esforço retórico. A audiência no streaming despenca e passa a refletir fielmente o que já acontece no rádio ao vivo. Os números conectados não militam, não contextualizam, não pedem paciência. Eles apenas mostram que, se a emissora resolveu abrir mão da boa média de ouvintes que já tinha, escolheu a fórmula correta para isso: definir um público e, com eficiência, espantá lo.










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