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Strategy Engineering

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Sobreposição de FMs entre RN e Paraíba: impactos na qualidade de sintonia

Parece até um enfrentamento entre frequências em disputa. Um breve monitoramento do perfil de sintonia no trecho entre Nísia Floresta e a praia de Barra de Tabatinga revela chiados e revezamento de sinais, mesmo em uma região situada dentro de um raio aproximado de 30 km dos transmissores de Natal e a cerca de 120 km de distância dos transmissores de João Pessoa.


O primeiro ponto refere-se à forma como captei as emissoras que operam em 103,9 MHz em Natal e João Pessoa, ou seja, a Rádio Mix Natal e a Parahyba FM

Neste outro vídeo, que registra as emissoras de Natal e João Pessoa que operam em 95,3 MHz, é possível observar a oscilação de sinais, com alternância entre momentos de programação jornalística da IFRN FM e trechos de programação religiosa da Arapuan FM.

No vídeo, citei a Tambaú FM por engano; trata-se, na verdade, da Arapuan FM.



Mesmo considerando, hipoteticamente, que as emissoras estivessem operando com a mesma potência, o raciocínio intuitivo levaria à conclusão de que, estando as emissoras de João Pessoa a uma distância aproximadamente quatro vezes maior do que as de Natal nesse trecho, o sinal natalense deveria prevalecer com ampla vantagem. No entanto, a prática demonstra que a situação é mais complexa.

A frequência nominal de uma emissora não é o único fator determinante para o alcance e a qualidade de recepção. Diversos elementos influenciam o comportamento do sinal: características do sistema transmissor, altura da torre, altitude da base de instalação, topografia do terreno, posicionamento geográfico, diagrama de irradiação da antena e obstáculos próximos ao ponto de emissão.

Além disso, um aspecto que foge ao senso comum é que dobrar a potência não significa dobrar o alcance. A atenuação do sinal ocorre de forma não linear. Pequenas variações de relevo podem gerar zonas de sombra, reflexões e recomposições de campo que resultam em alternância de sinais, chiados e desconforto auditivo. Em deslocamento, um automóvel pode atravessar encostas que bloqueiam parcialmente o sinal proveniente de Natal e, simultaneamente, favorecem reflexões ou trajetórias mais eficientes do sinal oriundo de João Pessoa. Isso explica a formação desses “túneis” de recepção: é possível ouvir uma FM de João Pessoa a 120 km de distância e, naquele mesmo ponto, não conseguir sintonizar adequadamente uma emissora situada a apenas 30 km de Natal.

Um sinal FM precisa chegar ao receptor com nível de campo suficientemente superior ao ruído e a eventuais interferentes para garantir boa qualidade de áudio. A simples presença de um sinal co-canal, ainda que com intensidade mínima, já compromete essa “pureza” espectral. Mesmo que o ouvinte não identifique claramente a outra emissora, sua energia pode se manifestar sob a forma de chiados, distorções e instabilidade de áudio.

Um receptor que capta duas fontes na mesma frequência não consegue “despoluir” completamente a mistura, ainda que uma delas tenha maior intensidade de campo. Quem tenta sintonizar FMs comunitárias em regiões limítrofes convive constantemente com esse fenômeno de degradação mútua de sinal.

 
 
 

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