Sobreposição de FMs entre RN e Paraíba: impactos na qualidade de sintonia
- Ricardo Gurgel

- 13 de fev.
- 4 min de leitura
Atualizado: 12 de mar.
Parece até um enfrentamento entre frequências em disputa. Um breve monitoramento do perfil de sintonia no trecho entre Nísia Floresta e a praia de Barra de Tabatinga revela chiados e revezamento de sinais, mesmo em uma região situada dentro de um raio aproximado de 30 km dos transmissores de Natal e a cerca de 120 km de distância dos transmissores de João Pessoa.
O primeiro ponto refere-se à forma como captei as emissoras que operam em 103,9 MHz em Natal e João Pessoa, ou seja, a Rádio Mix Natal e a Parahyba FM
Neste outro vídeo, que registra as emissoras de Natal e João Pessoa que operam em 95,3 MHz, é possível observar a oscilação de sinais, com alternância entre momentos de programação jornalística da IFRN FM e trechos de programação religiosa da Arapuan FM.
No vídeo, citei a Tambaú FM por engano; trata-se, na verdade, da Arapuan FM.
Mesmo considerando, hipoteticamente, que as emissoras estivessem operando com a mesma potência, o raciocínio intuitivo levaria à conclusão de que, estando as emissoras de João Pessoa a uma distância aproximadamente quatro vezes maior do que as de Natal nesse trecho, o sinal natalense deveria prevalecer com ampla vantagem. No entanto, a prática demonstra que a situação é mais complexa.
A frequência nominal de uma emissora não é o único fator determinante para o alcance e a qualidade de recepção. Diversos elementos influenciam o comportamento do sinal: características do sistema transmissor, altura da torre, altitude da base de instalação, topografia do terreno, posicionamento geográfico, diagrama de irradiação da antena e obstáculos próximos ao ponto de emissão.
Além disso, um aspecto que foge ao senso comum é que dobrar a potência não significa dobrar o alcance. A atenuação do sinal ocorre de forma não linear. Pequenas variações de relevo podem gerar zonas de sombra, reflexões e recomposições de campo que resultam em alternância de sinais, chiados e desconforto auditivo. Em deslocamento, um automóvel pode atravessar encostas que bloqueiam parcialmente o sinal proveniente de Natal e, simultaneamente, favorecem reflexões ou trajetórias mais eficientes do sinal oriundo de João Pessoa. Isso explica a formação desses “túneis” de recepção: é possível ouvir uma FM de João Pessoa a 120 km de distância e, naquele mesmo ponto, não conseguir sintonizar adequadamente uma emissora situada a apenas 30 km de Natal.
Um sinal FM precisa chegar ao receptor com nível de campo suficientemente superior ao ruído e a eventuais interferentes para garantir boa qualidade de áudio. A simples presença de um sinal co-canal, ainda que com intensidade mínima, já compromete essa “pureza” espectral. Mesmo que o ouvinte não identifique claramente a outra emissora, sua energia pode se manifestar sob a forma de chiados, distorções e instabilidade de áudio.
Um receptor que capta duas fontes na mesma frequência não consegue “despoluir” completamente a mistura, ainda que uma delas tenha maior intensidade de campo. Quem tenta sintonizar FMs comunitárias em regiões limítrofes convive constantemente com esse fenômeno de degradação mútua de sinal.
Sinal da Mix 103,9 Natal em conflito com 103,9 Parahyba FM a menos de 35 km de Natal
Ainda antes de entrar no território paraibano, o sinal da 103,9 FM de João Pessoa já apresenta força suficiente para gerar concorrência de cobertura a partir de Canguaretama, no Rio Grande do Norte.
Já o sinal da Mix FM de Natal não sofre qualquer perda perceptível, nem mesmo nos municípios da região metropolitana. O conflito com a 103,9 FM de João Pessoa só aparece ao sul de Natal, aproximadamente a partir dos 70 km, e não afeta o público-alvo central de nenhuma das duas emissoras.
Na prática, isso significa que, para quem segue pela BR-101 no sentido sul e deseja continuar ouvindo a Mix FM sem interrupções, a alternativa será recorrer ao aplicativo/streaming, já que a zona de interferência começa fora da área prioritária de cobertura.

Parahyba FM: https://epc.pb.gov.br/radio-ao-vivo
Rádio Mix Natal: https://aovivo.radiomixfm.com.br/natal
A 103,9 Parahyba FM, por sua vez, resulta da migração da histórica Rádio Tabajara 1110 AM, sendo uma emissora estatal, vinculada ao Governo do Estado da Paraíba.
A 103,9 FM nasce a partir da migração da Tabajara AM 1110 para o FM. Só que, em vez de manter o nome “Tabajara”, o governo decidiu lançar uma nova marca, com identidade jovem e moderna: Parahyba FM.
Em resumo:
Tabajara AM 1110 → 103,9 FM → vira Parahyba FM (nova marca e nova programação)
Tabajara FM 105,5 → continua existindo com a mesma marca e linha cultural
Hoje a EPC (Empresa Paraibana de Comunicação) opera duas FMs:
• Parahyba FM – 103,9 MHz
É a “nova rádio”, experimental.
Surge da migração da frequência AM.
Identidade contemporânea.
• Tabajara FM – 105,5 MHz
Continua ativa com sua programação tradicional cultural/musical.
Mantém o nome original “Tabajara”.
O que mudou da Tabajara AM para a Parahyba FM
A antiga Rádio Tabajara operava com uma programação híbrida, combinando jornalismo, cultura, música regional e uma ampla variedade de gêneros, típicos de uma emissora pública tradicional.
Com a chegada da Parahyba FM, o perfil passa a ser o contemporâneo.
No posicionamento, a Tabajara representava o modelo clássico de rádio estatal, enquanto a Parahyba FM assume uma linha experimental. Por não depender estritamente de audiência comercial para sua manutenção, a emissora pode arriscar formatos, testar novos programas e buscar uma identidade mais ousada dentro do dial FM.




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